Guia Marraquexe Low-Cost

Neste artigo, podes encontrar noções sobre os custos de uma viagem a Marraquexe, em Marrocos, e algumas dicas para poupar dinheiro (como se Marraquexe não fosse low-cost o suficiente).

  • Introdução
  • Porquê Marraquexe?
  • Custos da Viagem
  • Comprar a viagem
  • Reservar Alojamento
  • Segurança
  • Aeroporto
  • Transfer
  • Língua
  • Moeda
  • Compras
  • Gastronomia
  • O que Visitar e O que Fazer
  • Mais dicas Marraquexe
  • Check-List
Introdução
Marrocos

Marrocos está separado da Europa por um pequeno estreito de 14 quilómetros de distância. Ao longo da história, este país tornou-se um verdadeiro cruzamento geográfico cultural e entre civilizações. A sua localização e os seus recursos, levaram à concorrência entre as potências europeias pelo domínio da região, começando com os portugueses, e passando mais tarde por Espanha e França. Só em 1956 é reconhecida independência a Marrocos, e ainda hoje Ceuta e Melilla, cidades a Norte de Marrocos, pertencem a Espanha.

Os marroquinos são predominantemente muçulmanos sunitas de origem árabe ou berbere. Os berbéres chegaram a Marrocos há cerca de 3000 anos atrás. Os árabes trouxeram o Islão, junto com a língua e a cultura para o norte da África durante as conquistas muçulmanas do século VII.

Marraquexe / Marrakech

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Marraquexe, situada no sudoeste de Marrocos, também é conhecida como “pérola do Sul” ou “porta do Sul”. É a quarta maior cidade do país, depois de Casablanca, Rabat (a Capital) e Fez. Também é conhecida como “Cidade Vermelha”, devido devido aos tons da sua arquitectura, que originalmente eram devidos à argila usada nas construções. Desde o tempo do colonialismo francês, há um mandato para que os edifícios construídos na parte antiga da cidade sejam pintados em algum tom de vermelho.

A cidade foi fundada em 1062. A origem do seu nome está no berbere mur(n)akush, que significa “Terra de Deus”. Actualmente está dividida em duas partes: a Medina (zona histórica, dentro de uma fortificação) e Guéliz (zona nova da cidade).

Porquê Marraquexe?

  • É diferente

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Marraquexe é uma das cidades mais visitadas do mundo e foi uma das cidades que mais adorei visitar. Se sentes que as cidades europeias estão cada vez mais parecidas, aconselho-te vivamente a dar um pulinho lá em baixo.

Em vez de edifícios magnânimos e grandes pontos de atração turística, o que de melhor Marraquexe nos oferece é a sua energia única, as pessoas, o próprio dia-a-dia na praça, os tons e características completamente diferentes da arquitetura.

Marraquexe é um encontro perfeito entre as diferenças culturais e a modernidade: é das cidades mais diferentes que existem a pouca distância de Portugal e, ao mesmo tempo, uma das cidades mais liberais e cosmopolitas do Médio Oriente.

Em Portugal ainda não existem voos low-cost diretos, mas podes ver mais em baixo como chegar até Marraquexe, sem gastar muito dinheiro.

  • É linda

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É uma cidade muito fotogénica e tem uma luz especial. Adorei especialmente observar cada pôr-do-sol na praça principal, ao mesmo tempo que se ouve a mística chamada para a oração vinda das mesquitas. Não é por acaso que esta cidade é a que muitas celebridades francesas escolhem para comprar uma segunda moradia.

  • É barata!

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Não há muitas cidades aqui perto onde os portugueses possam ir e sentir que é mais barata do que as suas cidades de origem… Marraquexe é uma delas.

A entrada para os museus e palácios ronda entre 1 a 3€. Em relação à alimentação, o nosso primeiro dia começou com um pequeno-almoço de crepes com mel, amêndoa, queijo e óleo de argão, acompanhados por um aconchegante chá de menta marroquino. Ficamos maravilhados quando pagámos apenas 1,50€ por pessoa. No segundo dia, descobrimos que tínhamos sido “enganados”, porque noutro sítio pagámos cerca de 2€ pelo pequeno-almoço de 4 pessoas.

Custos da viagem

Custos essenciais
  • Viagem – 80€ por pessoa
  • Alojamento – cerca 7€ por pessoa/ por noite (no centro da Medina)
  • Transfer do aeroporto para o centro – 5€/50 dhs por pessoa (ida-e-volta incluído)
Custos das principais atrações (preços Setembro 2016)
  • Madrassa Ben Youssef – 20 dhs por pessoa (~2€)
  • Jardins Majorelle – 70 dhs (~7€)
  • Túmulos Saadianos – 10 dhs (~1€)
  • Palácio Bahia – 10 dhs (~1€)
  • Palácio Badii – 10 dhs (~1€)
Custo de atividades ou experiências
  • Excursão de 2 dias/1 noite no deserto – 45€ por pessoa incluindo a viagem de ida-e-volta, alojamento, visitas guiadas, cerca de 2 horas a andar de camelo, jantar, e pequeno-almoço.
  • Hammam – Dependendo da experiência, há vários tipos de hammam que se pode fazer, desde os mais tradicionais (onde convêm levar a própria toalha e produtos a usar, como shampoo, etc), aos que incluem os produtos a usar, máscara de argila, massagem ou mesmo outros tratamentos. Vimos um hammam tradicional que custava apenas 12 dhs, que calculo que seja apenas o acesso à sala (é possível que as senhoras não falem inglês mas não há nada que a linguagem não-verbal não resolva). Na nossa experiência, fomos a um hammam que incluía o banho, a esfoliação e máscara de argila em salas privadas por 100 dhs.
  • Fazer uma pintura de Hena – Podem conseguir por 30 dhs ou menos, há vendedoras a certas alturas menos movimentadas a oferecer por 10 dhs.
Custos de alimentação
  • Pode-se comer bem e barato em vários restaurantes perto da praça principal. Aqui estão alguns exemplos dos preços que podem encontrar:
    • Garrafa de água de 1,5L – 0,60€ (em alguns sítios 1€)
    • Pratos típicos como tajine, pastilla ou couscous de legumes – 3€
    • Pequeno-almoço (chá, sumo, iogurte, crepe com amêndoa e mel) – 1,50€ por pessoa
    • Sumo de laranja natural – 0,40€ ou 0,50 (copo de plástico para levar)
    • Pizza média – 3€ ou 4€
    • Gelados (de máquina) – 0,20€ (a não perder)
    • Fruta vendida na rua à unidade – 0,10€ ou 0,20 (aproveitem a pitaia / figo da índia a este preço, e comam na hora, descascado pelo vendedor, porque tem espinhos imperceptíveis na casca).
Custos de transporte dentro da Marraquexe

O transporte de táxi em Marraquexe supostamente não deveria ser mais do que 2€ para qualquer parte da cidade. No entanto, o normal é cobrarem por volta de 5€, sem ligarem o taxímetro.

Alguns turistas relatam pedir a marroquinos para chamarem o táxi por eles, porque os turistas são cobrados cerca de 4 vezes mais do que os locais. Raramente os taxistas ligam o taxímetro como deviam, pelo que uma boa dica é esperar que o liguem antes de seguir viagem (e perguntar o nº do táxi caso não queiram ligar o taxímetro). Convém ter dinheiro trocado para pagar o táxi.

Comprar a viagem

A opção mais em conta que encontrei para uma viagem até Marraquexe foi fazer a viagem de carro até Sevilha e apanhar o voo Sevilha-Marraquexe. A partida do voo era às 19h35 (hora espanhola), pelo que fomos com tempo à vontade no próprio dia para o aeroporto de Sevilha.

Para não termos de nos preocupar em achar estacionamento para o carro (para além de sabermos que fica num local vigiado), reservámos na Parking Vuela. Aconselho o site Parkvia, que vos dá os preços mais baratos para procurar as vários opções de parques de aeroporto. Normalmente incluem sempre transporte de ida e volta ao aeroporto. Ficou em 26,50€ por 7 dias, sendo que se paga uma pequena parte online e o resto paga-se na entrega do carro.

Como dividimos a viagem de carro por 4, ficou em cerca de 20€ por pessoa (ida e volta incluído). A viagem de avião Sevilha-Marraquexe ficou em 63,83 por pessoa, já incluindo o transporte de uma mala de porão para todos, para pôr algumas compras extra que não coubessem na mala de cabine. No voo de ida, levámos uma mala grande flexível dentro da mala de cabine, desta forma só pagamos a tarifa da mala para o voo de volta (que é quando é realmente necessário).

Se adotarem pela ideia de ir de carro até Espanha para apanhar um voo para Marraquexe, aconselho o site Via Michelin para calcular não só os itinerários (embora o tempo de viagem previsto seja um pouco excessivo em comparação com o Google Maps), mas também as portagens e os custos de combustível (dá para selecionar gasolina ou diesel, etc).

Se forem apenas duas pessoas, poderá compensar apanhar um voo low-cost até Madrid / Barcelona / Valência, e destas cidades apanhar o voo para Marraquexe.

Marraquexe pode ser visitada praticamente em qualquer altura do ano, pois o tempo é geralmente quente ao longo do ano, sendo aconselhável usar protetor solar e chapéu de sol mesmo durante o Inverno. É especialmente quente de Junho a Setembro. Provavelmente por esse motivo, a época alta para fazer a excursão até ao deserto é a partir de Outubro.

Reservar alojamento

Para reservar o teu alojamento, recomendo a Booking. Podes reservar alojamento para Marraquexe apoiando o site através deste link. Para ficares no coração de Marraquexe, seleciona “Medina” na secção “Bairro”, nas opções do lado esquerdo.

As casas típicas na Medina de Marraquexe, os Riads, têm a particularidade de estarem organizadas em volta de um pátio interior.

No nosso caso, conseguimos o preço de 7€ por pessoa/por noite, num hotel a menos de 5 minutos a pé da praça principal, o Hotel Aday. Na pesquisa considerei, para além do preço, a localização. Ordenei por preço e procurei as moradas dos hotéis no Google Maps.

Aconselho a localizarem a rua do vosso hotel em relação à praça principal (Jemma el-Fna) e em relação ao café Argana (que é o edifício mais alto e fácil de localizar nesta praça). Para facilitar podem guardar a imagem da rua, e quando chegarem basta identificar.

Quando chegarem, se forem no autocarro que faz o Transfer, ele deixa-vos numa paragem ao pé de um jardim, mesmo ao lado da praça principal, é só seguir a rua que tem as charretes.

Segurança

Se precisarem de ajuda ou qualquer coisa perguntem aos bastantes polícias ou guardas que costumam andar pela Medina, ou aos donos das lojas. Na verdade, podem perguntar a qualquer pessoa que ninguém vos vai fazer mal, o pior que pode acontecer é um guia auto-contratado levar-vos lá e terem de dar uma gorjeta.

Aconselho o mesmo que em todas as grandes cidades, vigiar as malas entre as multidões e evitar andar sozinho. Enquanto lá estávamos não nos aconteceu nada, sentimo-nos bastante seguros (à exceção de nos sentirmos “roubados” se não soubermos regatear! eheh). Mas uma rapariga do norte da Europa que estava a viajar sozinha, hospedada no nosso hotel, foi roubada na rua.

Aeroporto

Para a viagem de ida aconselha-se a antecedência regular, estar no aeroporto 2 horas antes. No voo de ida, deram-nos uns papéis para preencher com informações básicas para entregarmos no controlo da fronteira, que acontece à chegada ao aeroporto, altura em que verificam e carimbam os passaportes.

Para a viagem de volta, aconselho ir com 3 horas de antecedência, devido ao mesmo controlo por que passamos antes do voo.

Transfer

Quando chegares ao aeroporto, vais ter muitas propostas de taxistas para te levarem à cidade. No entanto, tens a opção mais económica do autocarro que faz o percurso Praça Jemaa El-Fna / Gare de autocarros / Gueliz / Estação de comboios, por 5€ ida-e-volta.

Segue uma foto para localizarem a paragem dos autocarros (vista de quem sai do aeroporto), e dos horários disponíveis.

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Língua

 Os idiomas oficiais de Marrocos são o árabe e o berbere. Apesar de haverem vários tipos de árabe e de berbere, o idioma de rua é o chamado darija (Árabe Marroquino) e o Berbere. O árabe da comunicação social é Árabe Standard. Devido ao tempo em que Marrocos estava sob protetorado francês, a língua estrangeira mais praticada em Marrocos é o francês, mas em Marraquexe há muita gente que fala inglês, espanhol e até arranham algum português. Principalmente os vendedores adoram adivinhar a nossa nacionalidade, mesmo antes de abrirmos a boca.

Moeda

A moeda oficial de Marrocos é o dirham (MAD/DH). Neste momento, 1 Dirham de Marrocos = 0,09€. Para pensar de forma mais fácil:

10 dirhams = 1 euro; 100 dirhams = 10 euros

Há caixas de multibanco no Aeroporto e principalmente na praça principal. Ao contrário de outros países, há muitos negócios pequenos onde não se pode pagar com Multibanco, sendo necessário trocar dinheiro mais tarde ou mais cedo.

É recomendável andar com moedas de baixo valor, já que é esperado dar gorjeta (por exemplo, para ir a algumas casas de banho).

Compras

Algumas coisas típicas de Marrocos que vale a pena comprar lá são:

  • Especiarias e ervas (como a mistura de 35 especiarias, ou cominhos de Marrocos)
  • Óleo de argão
  • Chá de menta
  • Azeitonas e azeite
  • Lenços (para usar)
  • Tajines (panelas de bairro envernizado e/ou pintado onde se faz o prato típico com o mesmo nome)
  • Candeeiros e lanternas
  • Tapetes
  • Bules de chá e canecas/copos de chá
  • Hookah (cachimbos de água)

Gastronomia

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Os pratos típicos são:

  • Chá de Menta – Primeiro que tudo está este costume marroquino de beber chá de menta fresca a toda a hora e a acompanhar tudo. É servido com muito açúcar e em copos de vidro (quando conseguires pegar com a mão sem queimar, é porque está bom para beber).
  • Cuscuz – Este prato originário do Norte de África é cada vez mais conhecido também em Portugal, mas dificilmente é preparado da mesma forma. Aqui vem acompanhado geralmente com legumes e/ou carne.
  • Tagine – É uma especialidade marroquina preparada num tacho de barro que tem o mesmo nome. Pode ser de carne, peixe e/ou vegetais e tem molho com várias especiarias, acompanhando-se com pão.
  • Harira – Sopa que leva tomate, lentilhas, grão-de-bico e especiarias.
  • Omelete Maticha – É um tipo de omelete com origem berbere, feita com ovos e tomate dentro de um tagine.
  • Pastilla – É um folhado com recheio variável (carne, legumes, etc.).

São vários os restaurantes em Marraquexe e, ao contrário de outras cidades, os mais baratos até estão localizados na praça principal. Servem tanto a cozinha típica marroquina, como podem adaptar os seus ingredientes à cozinha internacional.

Para os vegetarianos, há os pratos típicos com a versão vegetariana e também há restaurantes vegetarianos (fomos ao Earth Café e ao Henna Art Café, mas em outros restaurantes pode-se comer melhor por menos dinheiro). Existem ainda os restaurantes onde a refeição é acompanhada pelo espectáculo de dança do ventre.

O que visitar

Atrações gratuitas

  • Passeio pela Medina

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Em Marraquexe, o simples facto de se perderem nas ruas da Medina é atração suficiente para alguns dias, pois em cada virar da esquina pode vir uma surpresa.

A Medina é a zona histórica da cidade, e insere-se numa fortificação milenar. Está classificada como Património da Humanidade pela UNESCO devido ao seu “número impressionante de obras de arte e arquitetura”. É onde se situam a maior parte das atrações que vamos falar a seguir, assim como grande parte dos mercados, lojas de comércio tradicional e mesquitas.

Algumas partes da Medina têm ruas bastante estreitas e em muitas zonas não é possível circular de automóvel (já as motas circulam com frequência). A melhor forma de conhecer a Medina é a pé. Outra boa forma é fazer um passeio de caleche: uma carroça com cavalo.

  • Praça Jemaa El-Fna

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De dia ou de noite, aqui é o grande ponto de encontro da animação de Marraquexe. É classificada como Património Mundial da UNESCO.

É aqui que tudo se passa: as bancas de sumos de laranja natural e frutos secos, o fumo dos restaurantes que servem comida local, músicos, encantadores de serpentes, aguadeiros, treinadores de macacos, os leitores de sina, músicos, pintoras de tatuagens de tinta Hena, etc.  Não deixes de experimentar o sumo de laranja natural por menos de 40 cêntimos (4 dirhams). Aproveita para conhecer as diferentes vistas da praça através dos terraços dos restaurantes.

 

 

  • Os Souks

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Ao redor desta praça, e espalhados pela Medina, estão os agitados mercados. Vale a pena perder-se entre ruas diferentes, porque há vários tipos de mercado específicos que estão agregados (bijuteria, azeitonas, material eletrónico, sapatilhas, tapetes, candeeiros, etc.).

Marraquexe tem o maior Souk em todo o país. É uma experiência envolvente para os sentidos, passando pela sensação de calor, pelas vozes dos vendedores, pelas cores vivas dos vestidos e bijuteria, pelos cheiros das especiarias. Eles vão querer sempre chamar a tua atenção e saber de onde vens, por isso prepara-te para ouvir muitas vezes “Cristiano Ronaldo” e “Lisboa”. As mais diferentes que ouvimos foram “Batatas fritas” e “Rádio Comercial”.

  • Mesquita Koutoubia

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É o grande ícone da cidade, tal como a Torre Eiffel está para Paris.

Ao contrário de muitos países árabes, em Marrocos as pessoas Não-Muçulmanas não podem visitar mesquitas. Ainda assim, podes sentir-te imerso na cultura islâmica se estiveres perto de uma mesquita durante uma das cinco chamadas para a oração (o som de “Allahu Akbar” significa Deus é Grande). Na Koutoubia, pode-se passear nos jardins que a rodeiam, fazendo uma paragem para apreciar a beleza da arquitetura da mesquita.

Com 77 metros de altura e paredes de 13 metros de largura, é a maior mesquita de Marrocos.  O minarete é considerado pelos marroquinos como o mais belo de todo o norte da África. Pode ser visto num raio de 25 quilómetros. Isto também se deve à tradição marroquina de não permitir construções mais altas do que o minarete das mesquitas, pois seria arrogância construir uma casa ou prédio mais altos do que um edifício dedicado a Deus.

Foi construída em 1158, por um sultão cujo desejo era construir 7 mesquitas para entrar no céu e ser recebido por 14 virgens. O sultão megalomaníaco morreu antes de finalizar a sétima mesquita.

No alto do minarete das mesquitas há três grandes esferas de cobre de tamanho decrescente, um requisito tradicional nas mesquitas do país. Na Koutoubia há quatro. Diz a lenda local que a quarta esfera foi um presente da esposa do sultão Yacoub el Mansour, como penitência por interromper por três horas o jejum durante o Ramadão.

  • Guéliz: Zona moderna

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Imagem de mwanasimba, Creative Commons

Fora das muralhas está uma Marraquexe com arquitetura mais moderna, que é o oposta da Medina, com grandes avenidas e prédios altos. A zona de Guéliz, também é conhecida como Ville Nouvelle. É onde se concentram os edifícios modernos e as grandes marcas internacionais, desde cadeias de hotéis, lojas de roupa, centros comerciais e cadeias de fast food.

Para ficar a conhecer a parte nova e moderna de Marraquexe pode optar por comprar o bilhete dos autocarros turísticos, ou negociar o preço de um táxi. O autocarro passa junto de vários pontos turísticos como, por exemplo, os Jardins Majorelle, o Jardim Menara e a área da Palmeraie, com os camelos para os turistas passearem. O preço é cerca de 145 dhs por um bilhete de 24 horas ou 190/165 dhs por um bilhete de 48 horas (ver aqui, e aqui). Como esses preços não são muito acessíveis, e éramos um grupo de 4 pessoas, compensava apanhar um táxi até aos sítios que queríamos visitar (por exemplo, desde a Medina até aos Jardins Majorelle custa entre 3 a 5€ por todos).

  • Jardins Menara
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Imagem de Acp, Creative Commons

É um amplo jardim, com um grande lago, bastante movimentado ao fim-de-semana, com os passeios das famílias locais. No cenário estão incluídas as Montanhas Atlas.

Atrações pagas

  • Madraça Ben Youssef (2€)

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Uma madraça é uma escola islâmica, dedicada ao estudo do Alcorão. A construção desta começou em 1565, tendo sido reconstruída posteriormente. Com mais de 1600 metros quadrados, e 132 dormitórios, era a maior madraça no norte de África, até ser fechada em 1960.

Agora podemos visitá-la como um museu. Tal como a casa típica marroquina, tem muitos quartos organizados à volta de um pátio interior. É uma visita muito interessante para sentir o estilo de vida dos estudantes muçulmanos, quase que os podemos imaginar a memorizar o Alcorão dentro das salas de estudo.

  • Palácio Badii / El Badi (2€)

 

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Imagem de Bjørn Christian Tørrissen, Creative Commons

Neste sítio podem ver as ruínas de um antigo palácio de um sultão. Foi construído no séc. 16 pelo sultão Ahmad al-Mansur, como símbolo do renascimento do poder e relevância de Marrocos, em comemoração à vitória na Batalha de Alcácer-Quibir (aquela onde desapareceu o D. Sebastião), sendo financiado em parte pelo resgate pago pelos portugueses depois da batalha (ups).

Dizem que este palácio tinha mais de 300 quartos decorados com os melhores materiais da época (ouro, turquesas e cristal). Um pouco à semelhança do Rei Luís XIV de França, o sultão Mulai Ismail decidiu transferir a capital de Marrocos de Marraquexe para Meknes (também conhecida como Versailles de França). Foi nessa altura, no final do século XVII, que o palácio foi saqueado das suas riquezas.  Apesar de já estar despojado de todos os seus luxos, pela sua dimensão e estrutura é possível ter noção porque lhe chamavam “O Incomparável”.

  • Túmulos Sádidas (1€)

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Este local é ideal para apreciar arquitetura e arte islâmica. É um local pequeno, mas com uma longa história. Foram negligenciados durante décadas, e descobertos no século XX através de fotografias aéreas. Neste local estão preservados 66 túmulos das Dinastias Sádida e Alauita (séc. XVI a XVIII). O que atrai os turistas a este cemitério é a beleza da sua decoração, como o trabalho em azulejo, mármore Italiano, estuque e madeira de cedro.

Também aqui está o túmulo do sultão Ahmad al-Mansur e da sua família (o que mandou construir o Palácio El Badi), que morreu em 1603 rodeado de tanto luxo na sua morte, como em vida.

  • Palácio Bahia (1€)

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Os melhores trabalhadores e artesãos do país trabalharam continuamente neste palácio durante seis anos, no final do séc. XIX. Funcionou como o harém de Ahmed ben Musa, que tinha 4 esposas e 24 concubinas. Quando ele morreu, os escravos pilharam tudo o que puderam e as mulheres lutaram entre si pela posse das jóias. Alguns dias depois só restou o que eles não conseguiram levar: um grande edifício, com a sua bonita decoração do tecto e das paredes.

Atualmente o palácio serve também para receber dignatários estrangeiros, exposições de arte, concertos, além de ser residência temporária da família real durante os meses de Inverno.

  • Jardins Majorelle (7€)

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Apesar de ser um preço caro para um jardim, os jardins Majorelle são uma das principais atrações turísticas. Devem o seu nome ao pintor francês que decidiu construir um jardim botânico, que abriu ao público em 1947. Quando Yves Saint-Laurent (outro apaixonado por Marrocos) e o seu parceiro, descobriram que iriam transformá-lo num complexo hoteleiro, decidiram comprá-lo e revitalizá-lo. Existe uma grande diversidade de flora, um Museu de Arte Islâmica, uma sala com litografias de Jacques Majorelle, uma loja e um café.

Hammam

O Hammam é o tipo de banhos públicos tradicional em Marrocos. Decorre numa sala aquecida do género de sauna ou banho turco. À semelhança dos cabeleireiros em Portugal, é onde os marroquinos vão para o convívio e bisbilhotice.

Na nossa experiência, estávamos a caminhar no centro da Medina e começou a chuviscar, pelo que decidimos entrar no Hammam que nos apareceu mesmo ao lado.

A maior parte dos hammam’s têm salas separadas para homens e mulheres, mas se for um Hammam mais turístico, se for cedo e as salas não estiverem ocupadas, não irá haver problema em partilhar a sala.

Pagámos primeiro e depois levaram-nos para um espaço onde nos pediram para despir (a caixa onde ficaram as nossas coisas depois foi connosco também). No caso dos homens, podem fornecer uns calções descartáveis. No caso das senhoras, podem despir-se completamente (é típico nos hammans tradicionais) ou manter a lingerie se preferirem. O trabalho da senhora que nos acompanha é orientar-nos (falava o necessário de inglês para nos dizer o que fazer), e ensaboar-nos, verter água quente por cima de nós, esfoliar-nos com uma luva de esfoliação e, se incluído, fazer uma máscara de argila, na cara e no corpo. No fim, também nos lavou o cabelo com champô. Tanto entrava na sala para fazer os diferentes procedimentos como nos deixava sozinhos a descansar.

Como tínhamos a sala só para nós, podíamos estar confortavelmente deitados a apreciar o calor do vapor e das paredes quentes. No fim de tudo, deram-nos um roupão e toalha, e deixaram-nos numa sala para vestir. No final, pedimos e serviram-nos chá de menta.

Aconselho vivamente a experiência, é diferente. As senhoras são sempre simpáticas. Ao contrário do que possa parecer, ser lavado por um estranho pode ser agradável. Com uma boa procura, podem achar um pacote que inclua também massagem (no caso do hammam que fomos teríamos de pagar mais 200 dhs por pessoa, mas se tiverem tempo de procurar há outros mais em conta). O nosso hotel tinha uma parceria em que por 200 dhs incluía hammam, esfoliação, máscara de argila e a massagem, o que é bastante razoável.

Excursão até ao deserto

É uma viagem muito cansativa, mas a experiência de dormir sob as estrelas no deserto, acampar com marroquinos, andar de camelo com uma paisagem mítica, fazem com que valha mesmo a pena.

Fizemos uma excursão de 2 dias/1 noite no deserto. O preço tabela era 650 dhs, mas por sermos portugueses desceu rapidamente para 450 dhs (não nos esforçamos nada, provavelmente ainda descia mais, mas parece estranho pedir para pagar menos de 45€ por uma viagem de autocarro de mais de 300 quilómetros até ao deserto, visitas guiadas às atrações, 2 horas a andar de camelo, estadia e 2 refeições).

Também podem ir de autocarro por conta própria ou alugar carro até ao deserto, sendo que estas opções requerem um tipo diferente de preparação.

Como já tínhamos o hotel reservado para todas as noites não poupámos essa noite na estadia, mas não é má ideia deixarem uma noite livre sem reservar estadia, para conciliar com este tipo de excursão 2 dias/1 noite.

Não vale a pena reservar este tipo de viagem antes de partir, pois os preços que vi online são muito superiores. Quando chegarem, vejam as parcerias com o vosso hostel/hotel, ou procurem estas agências na praça Jemaa no primeiro dia em Marraquexe. Todos os dias de manhã cedo partem várias carrinhas para estas excursões.

Os pontos altos da viagem são:

Aït-Ben-Haddou

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Esta cidade fortificada é também Património Mundial da UNESCO, e foi o local de gravações de vários filmes (como Gladiador e A Múmia). O roteiro inclui uma visita guiada e consiste em conhecer e subir até ao cimo da fortificação.

Chegada ao Deserto e Andar de Camelo

 

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Andámos de camelo cerca de uma hora em direção à nossa tenda no deserto, durante o pôr do sol e anoitecer. É uma experiência incrível, mais ou menos confortável, dependendo da almofada e da bossa do camelo.

Alimentação e Alojamento

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Os parques de campismo são bastante simples. As tendas são de 4 pessoas. Numa tenda mais afastada estão as casas-de-banho. A água tem pouca pressão, mas tinham também lavatórios e cabines de duche montadas.

O jantar foi servido pelos novos amigos marroquinos. É comida tradicional de Marrocos (naquele dia foi tajine de frango). Quando relembrámos que havia 3 vegetarianos no grupo, o cozinheiro saiu rapidamente a dizer que ia preparar qualquer coisa mas nunca mais o vimos. 🙂

Também temos direito a um concerto de músicas tradicionais, depois do qual somos convidados a também tocar nos instrumentos. Apesar do cansaço, foi bom viver este ambiente curioso de pessoas de várias nacionalidades a partilhar a mesma experiência. De noite, vários de nós arrastámos os nossos colchões para fora da tenda, para podermos dormir sobre as estrelas. O pequeno-almoço é pão marroquino e chá de menta.

Viagem de volta

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No segundo dia, andámos novamente cerca de 1h de camelo, em direção ao autocarro. Fomos até Zagora, almoçámos num restaurante e levaram-nos a uma loja de tapetes e artesanato, onde pudemos ver e aprender sobre tapeçaria (com o objetivo de comprá-los a seguir, mais ou menos como as reuniões de Tupperware). Dizem que uma visita a Marraquexe não está completa sem comprar ou entrar numa loja de tapetes, por isso já fica feito. À chegada voltamos a passar pelas majestosas Montanhas Atlas.

Dicas:
  • Levem snacks para comer durante o dia. São feitas algumas paragens em mini-mercados e cafés, mas é um gasto que pode ser reduzido.
  • Levem um lenço para umas boas fotos no deserto, uma vez que lá vão ser mais caros.
  • Para as refeições que não estão incluídas (os dois almoços), fomos conduzidos aos restaurantes, que têm preços mais altos do que o típico restaurante barato no centro de Marraquexe. Para cortar neste custo, penso que seria possível levar alguma coisa preparada para comer (embora não lhes deva agradar muito ficarem sem a provável comissão por pessoa que come no restaurante).
  • Levem roupa super confortável, são perto de 7 horas dentro do autocarro por dia. Não se sentem na parte de trás do autocarro, que é mais alta (para não baterem tanto com a cabeça no teto durante os solavancos nos buracos das estradas).
  • Levem moedas pequenas, para poderem entrar em algumas casas de banho, e aproveitem para ir principalmente na última paragem antes de ir para o deserto andar de camelo.
  • Apesar das paisagens serem maravilhosas, levem também coisas para fazer no autocarro, ou paciência e boa disposição, para aguentar as viagens cansativas.

Mais dicas Marraquexe

  • Orientar-se dentro da Medina não é uma experiência fácil, e a entrada para alguns pontos turísticos (como os Túmulos Sádidas ou a Madraça Ben Youssef) é difícil de localizar. O ideal é instalar aplicações com os mapas da Cidade, e/ou instalar o mapa Offline no Google Maps.
  • Apesar da economia crescente e da bem-sucedida indústria do turismo, ainda há bastante pobreza em Marraquexe. Em 2010, 20000 casas nesta cidade não tinham acesso a água ou eletricidade. Num país em que o turismo apareceu antes de se eliminar a pobreza extrema, é normal que uma percentagem de pessoas tenha o seu sustento através do turismo. Algumas pessoas locais aproveitam a dificuldade em orientar-se dentro da Medina para ganhar alguns trocos (por exemplo, algumas crianças dizem que a estrada está fechada para nos poderem orientar por outro caminho ou para nos encaminharem a uma loja).
  • Regatear faz parte da experiência marroquina. Desde esta viagem, as minhas competências de negociação melhoraram bastante e estou a pensar escrever “Já fui a Marrocos” no meu CV, para justificar isso. Para os leigos nesta área, o segredo implica começar por oferecer um preço por baixo do que queres pagar (não tão baixo que possa ser ofensivo). A partir daí começa a dança da negociação: o preço que aceitas pagar vai subindo e o preço que o vendedor aceita receber vai descendo. Por isso é normal que comecem por pedir-te 200€ por uma echarpe, argumentando que esta é “different quality”.
  • Se fores algumas vezes aos souks, é possível que venhas a ficar cansado do facto dos marroquinos estarem constantemente a chamarem-te. Os marroquinos não gostam de ser menosprezados, e podes ter que repetir “la, shukran” (não, obrigado) muitas vezes. Evita perguntar apenas por curiosidade o preço de algo que não queres comprar, porque isso é o início de uma negociação. Deixar essa negociação a meio, pode ser um pouco ofensivo para alguns vendedores.
  • Na praça Jemaa El-Fna, podes encontrar todo o tipo de atrações e vendedores. Se estiveres próximo de uma destas atrações, normalmente o truque é pegarem-te pelo braço e começarem, e depois pedirem-te este mundo e o outro. Na primeira noite, enquanto andava inocente pela praça, uma marroquina insistiu em fazer-me uma pintura com Hena, que simpaticamente recusei, enquanto continuava a andar. Num instante pegou-me na mão, fez-me apressadamente uma pintura enquanto estávamos de pé, e cobrou-me mais de 30€. Depois de eu e a minha família insistirmos em não pagar mais do que as moedas significativas que tínhamos, ainda disse, enquanto me agarrava, que eu não ia a lado nenhum enquanto não lhe pagássemos. Desde aí tenho um pequeno trauma com marroquinas de niqab. Em Marraquexe, a maior parte das vidas depende de nós enquanto turistas, e há que seguir em frente e encarar com naturalidade e boa-disposição estas e outras técnicas de venda. De uma forma geral, os marroquinos são um povo tranquilo. Se nos negássemos a todo o contacto com vendedores, iríamos perder informações e experiências interessantes, bem como histórias para contar.
  • Evita fotografar edifícios do governo ou polícias e militares. É sempre bom pedir permissão antes de fotografar alguém. Nas zonas turísticas, podem pedir dinheiro pelas fotografias. Outra dica cultural é não mostrar alguma forma de desrespeito em relação à imagem do rei, que costuma estar pendurada nas lojas e sítios públicos.
  • Vale a pena reparar quando vires as próprias pessoas locais agregadas em volta de um vendedor, longe dos Souks, no meio de uma rua. Muito possivelmente está a vender o artigo a um bom preço, que normalmente é fixo e não negociável.

Check-list

Aqui fica uma check-list de experiências a ter em Marraquexe:

  • Passear a pé pela Medina
  • Fazer compras num Souk sem deixar de regatear
  • Andar de camelo
  • Passar a noite do deserto
  • Ir aos banhos públicos Hammam
  • Beber um chá de menta num terraço de um café da praça Jemaa El-Fna
  • Ver a mesquita ao Por do sol ouvindo a chamada para a oração
  • Fazer uma pintura com hena
  • Pôr uma serpente ao ombro
  • Beber um sumo de laranjas marroquinas

Qualquer dúvida ou sugestão, comenta!

 

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